Foto: Beto Albert (Diário/Arquivo)
Quase um ano e meio após a entrega da reforma da Gare, a prefeitura de Santa Maria ainda trabalha para lançar o edital de concessão do prédio histórico. O Executivo tenta tornar a licitação mais atrativa a empreendedores, já que, pelo que o Diário apurou com outras fontes, não haveria forte interesse de empresários em assumir o espaço, devido ao investimento elevado e aos riscos de o negócio não dar lucro. É que a projeção do município é que o empreendedor terá de investir cerca de R$ 2 milhões no prédio para iniciar a operação. O custo de manutenção é estimado em R$ 40 mil mensais.
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Segundo a secretária de Governança de Santa Maria, Carolina Salbego Lisowski, a pasta e a Secretaria de Cultura seguem trabalhando nos detalhes da concessão, e a expectativa atual da prefeitura é lançar o edital de concessão ao longo do segundo semestre deste ano. O prazo será de 20 anos, podendo ser renovado por mais 20 anos.
– O edital está sendo formulado para ser tornar atrativo. A empresa ou o consórcio que assumir terá de manter segurança, manutenção e iluminação do prédio, mas sem pagar aluguel ao município. Quem vencer poderá explorar ou sublocar, mas desde que seja para atividades nas áreas gastronômica, cultural, inovação e economia criativa. Poderá ser um grande restaurante, ou um espaço com vários empreendimentos, como restaurante, cafeteria, sorveteria, empresa de turismo, ateliê ou produtora de vídeos, entre outros exemplos – diz Carolina.
Além do espaço para empresas, a Gare terá salas para um memorial em homenagem à ferrovia e um auditório. No térreo do prédio principal, ficará a recepção e, no andar superior, a parte administrativa. Quem vencer a licitação poderá explorar também os trens que foram reformados, em que os vagões poderão ser utilizados, por exemplo, como restaurantes.
O presidente do sindicato das empresas de turismo, bares e restaurantes de Santa Maria, Sinditur, João Provensi, afirma que a entidade chegou a avaliar a possibilidade de participar da disputa para tentar assumir a Gare, mas que vários fatores precisam ser avaliados antes. Na análise dele, seria interessante se fosse aberto na Gare um restaurante tradicional e com ligação histórica com Santa Maria, aos moldes do Augusto, além de lanchonetes de xis, outra marca da cidade. Mas é preciso que algum empreendedor esteja realmente disposto a investir e que tenha alguma garantia de que terá retorno do investimento. A dificuldade de contratação de funcionários e os elevados custos de mão de obra são empecilhos. Segundo Provensi, se o Congresso aprovar escala de trabalho 5x2, com dois dias de folga por semana, ficará inviável para muitos restaurantes e hotéis, pois o custo e os preços ao consumidor vão subir de 7% a 10%, o que pode dificultar investimentos como esse na Gare.
Tombada como patrimônio histórico municipal, estadual e nacional, a Gare é formada por quatro pavilhões, inaugurados a partir de 1900. Antigamente, na Estação Ferroviária, funcionavam, além de escritório e venda de passagens, armazéns, restaurantes e sanitários. Com o tempo, o local passou a sofrer com o descaso, sendo alvo de vandalismo, como incêndios.
A obra de revitalização, que teve início em novembro de 2023, foi concluída em novembro de 2024. Desde lá, a Gare segue fechada, tendo sido utilizada apenas durante o Festival do Xis. No largo, em frente, são realizados eventos como a Calourada.
Investimentos
A reforma foi viabilizada com recursos do município e do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa 2). Ao total, o investimento foi de R$ 7,1 milhões.
Além disso, em 2025, foram reformados a locomotiva Maria Fumaça e o vagão de madeira, além de outros três vagões, sendo um carro que era restaurante e dois destinados a passageiros. O custo foi de mais de R$ 700 mil.